quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Andando por aí

Ando criança mal-criada, que faz birra não querendo contar nada.
Ando adulta bem prendada, que como tal, aprendeu a fingir que não está mal fadada.
Ando atriz, muito boa por sinal, que por vez engano até a mim com esta história de estou muito feliz.
Talvez esteja me perdendo, talvez me descobrindo. Não sei muito bem, ainda não entendo o que estou sentindo.

Por que não me conhecem?

- Qualquer coisa me liga... -Disse um.
- Se precisar, pode ligar. -Afirmou outro.

Qualquer coisa, se precisar... Quer se mostrar solidário? Faça silêncio. Respeite a minha dor. Ou então se dê ao trabalho de ficar sem jeito com as palavras e mostrar que está ali gastando vans calorias ao discar meu número.
Desculpe a grosseria, mas é que depois de tanto tempo, ainda me assunto com o quão desconhecida sou para todos vocês.
Que fique claro: Eu não vou ligar.
Que fique claro: Farei de tudo para nenhum de vocês jamais verem uma lágrima minha.
Que fique claro: Não pronunciarei nenhuma palavra vã.
Que fique claro: Odeio ser alvo da dó alheia.
Que fique claro: Dá próxima vez não diga nada, apenas me abrace. (Talvez então, apenas então, eu confie um pouco para poder chorar e falar do que me aflige a alma).

Vou respirar fundo três vezes e fingir que nada aconteceu.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Sobre primeiras vezes não pensadas


E pela primeira vez em toda minha vida, chorei de verdade.
Não que eu tenha fingido lágrimas, mas é que minhas lágrimas sempre foram raivosas, frustadas ou decepcionadas.
É que pela primeira vez chorei tristeza. Pela primeira vez chorei não poder fazer nada. Pela primeira vez chorei desesperado, sem conseguir controlar onde ou com quem.
Pela primeira vez fiquei de costas e andei pelas beiradas para que não vissem meu desespero.
Primeira vez que me joguei no chão do banheiro pra tentar me controlar -as outras foram pra descontrolar e desabafar comigo mesma.
Primeira vez que não voltei reabilitada dele. E incrivelmente, também pela primeira vez, houve alguém do lado de fora. Pela primeira vez tive quem fosse atrás de mim, tirasse meus olhos vermelhos das paredes com as únicas palavras de "o que foi?". Alguém que me abraçasse e se contentasse com meus soluços desesperados, até que as palavras explicativas sobreviessem a minha boca.

Jamais saberás o quão importante foi ter alguém pra finalmente me fazer entender que não preciso não sentir, e que não precisa ser sozinha. Talvez nunca entenderás a importância de eu poder confiar, pra finalmente conseguir ser apresentada a mim mesma em minha plena essência. Muito obrigada e -agora que me apresentou à mim- nunca mais vá embora.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Apesar de


Me desculpe por tudo que eu aparento ser, mas é que a verdade pode ser um tanto diferente do que mostro pra você.
É que apesar das minhas calças de menino e tênis maltrapilhos, eu amo estampas floridas e vestidos femininos.
É que apesar do meu cabelo mal amarrado e o rosto não-pintado, eu amo tranças e rostos delicados.
É que apesar do meu incrível e nada adorável jeito frio, eu amo poesias e bons livros.
É que apesar de todo esse meu jeito decisivo de mulher, vez ou outra me vejo meio menina perdida, sem saber bem o que quer.
É que apesar de tudo que pareço ainda gosto de cores delicadas e coisas com e sem preço.
É só que apesar de tantas coisas nada óbvias que sou, também sou coisas comuns, que quem sabe de tão igual você nunca se quer reparou.
É que apesar de tudo que quero que saibam que me diferencia, também quero que lembrem que sou igual, comum, menina, romântica -incubada-, apaixonada, sonhadora e um tanto poesia.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O meu alguém


Alguém que eu confie tanto ao ponto de conseguir chorar em sua frente sem me sentir mal. Alguém de quem eu não tenha vergonha das lágrimas. Alguém pra quem eu consiga explicá-las daquele jeito que não explica nada mas diz tudo. Alguém com o qual eu sentirei vontade de abraçar ao chorar, ao em vez de sair correndo ou esconder o rosto. Alguém que eu permito me ver chorar, e finalmente perco todo o peso que sempre carreguei por ter que fingir que sou forte o tempo todo e que nada me abala. Alguém com quem eu possa assumir que as coisas me atingem e me fazem derramar lágrimas, alguém com quem eu consiga, finalmente, desentalar as lágrimas. Alguém que me faça parar de me esconder -até de mim mesma- pra chorar. Alguém que me crie a necessidade de correr pro seu abraço. Alguém que eu consiga ser de verdade eu, sem nenhuma máscara ou falsa indiferença. Finalmente, achei.

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E eu aqui, bebendo um copo de refrigerante como se fosse vodka.

Sonho pra ano virado


Vamos fugir para o telhado para ver os fogos de fim de ano. Vamos esperar que o dia amanheça. Falaremos sobre tudo. Falaremos besteira. Riremos de tudo e em algum momento nossos olhares se encontrarão em meio a um sorriso sincero, que mudará de faceta, e se tornará apaixonado com um ar de realizado. Talvez pisquemos pra acreditar que o momento é real, e enquanto sua mão deslizará pelo meu rosto, a fina chuva começa a cair sobre nós dois. É verdade que levaremos um tempo pra perceber a chuva, talvez quando esta já quase seja tempestade. Eu tirarei os sapatos sem que você perceba, e depois de ameaçar um beijo fugirei feito criança correndo pelo telhado com os sapatos nas mãos. Você, é claro, correrá atrás de mim. Talvez me alcance já no chão, talvez dentro de casa. Não me incomodarei em te beijar quando me alcançar. Eu sorrirei olhando teus olhos, e os beijarei. Sorrirei mais uma vez e você irá me indagar o porquê do sorriso, e como sempre, responderei que não foi nada. Mal saberás que meu sorriso será culpa tua.

29 dias


Perdi a vontade do banho -é que não quero que teu cheiro saia de mim-, perdi as vontades que tinha a pouco. Perdi a fome, perdi a vergonha pra ti. Perdi toda vontade que não tenha você, e como não te posso ter agora, só me permito lembrar e me deixar sonhar acordada dominada por lembranças próximas que me fazem reviver cada segundo, e repetir as sensações que tive quando estávamos juntos. Apenas um do outro e de ninguém mais. Despidos de medos, desconfianças ou vergonhas. Pela primeira vez egoístas o suficientes para pensar apenas nos dois e dispensar todo o resto. Sonho que estás comigo em momentos nunca vividos -por enquanto. Não tenho culpa, meu desejo não se permite ser outro. Quero-te comigo todo o tempo, meu bem. Quero-te sob o mesmo o teto. Quero-te em todas tuas manias e chatices. Apenas te quero. Aqui, comigo, todo o tempo.

domingo, 18 de setembro de 2011

Dia e Noite


Descobri-me, então, duas faces.
Matutina e Noturna. Auto-suficiente e saudosista.
Unitária e plural.
Assim descobri minhas faces controvertidas.
Que com o Sol, tudo pode. Que com a Lua, tudo precisa.
Indiferente à companhia. Necessitada de companhia.
Dia a um. Noite a dois.
Que loucura minhas faces. Que loucura reprimida.

Novidade


Acordei diferente. Acordei sem saudades e sem ausências.
Acordei com o Sol entrando pelas beiradas da cortina; acordei verão.
Acordei contente, mesmo no vazio residencial. Na verdade o vazio me fazia muito bem.
Assisti, ouvi, estudei e escrevi.
Sensação nenhuma, falta nenhuma, e ainda assim não há a sensação do nada.
Talvez a praia caísse bem, talvez o vento do mar.
-Não, aqui está confortável.
Estranhamente normal. Estranhamente confortável. Estranhamente acordada e sem esperas. Estranho e rotineiro, que não fazem parte da minha rotina.
Vazio, normal, indiferente. Isso não é uma coisa ruim.
Calei, ouvi, prestei atenção no nada que ouvi. Bonita música do dia, bonito som.
Acho que o nome disso é paz. Que estranho, é tão novo pra mim.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

22 dias (saudades tuas)



Queria-te comigo todos os dias. Queria dividir o cereal. Queria te ver me encarando enquanto leio meus papéis. Queria que você me roubasse os livros e lhes desse sumiço para então roubar a mim num abraço. Queria cobertor, sofá, qualquer comida e qualquer filme. Queria aconchego diário. Queria que já fossemos apenas um do outro, e que ninguém tivesse nada a ver com isso. Queria poder te ter comigo todos os dias. Queria ser acordada todos os dias pelo meu príncipe de olhos falantes. Queria beijinhos inesperados e sem motivo. Queria dengo, queria mimo. Queria ficar ansiosa pra chegar em casa, porque teria certeza que te encontraria lá talvez fazendo a janta ou então me esperando para que eu a fizesse. Tanto faz, que façamos a janta juntos.
Que durmamos juntos. Que acordemos juntos. Que vivamos juntos.

Papel e lápis


Rascunho à lápis, mas nunca apago. Esqueço da existência e utilidade da borracha. Se não gosto jogo fora e faço outro. Por que à lápis então?
- Não sei.
Talvez seja questão de (in)segurança.
À caneta, só quando tenho destino e certeza que está tudo certo.
Incrível.
Vez ou outra erro à caneta, e ao contrário do lápis com o qual apenas dou um traço permitidor de leitura sobre o erro, tenho que apagar com corretor. Acabo deixando cicatriz onde pensava ser certo, e onde acreditava não ter certeza deixo tudo às vistas, marcados (pois são erros), mas nunca escondidos.
Lápis me faz escrever o que dá na telha, caneta o que é preciso, o que me é pedido.
Lápis me tira o foco, caneta não me permite fugir das linhas.
O grafite, meu favorito, me deixa esquecer das regras e, ainda assim, ver onde errei.
A caneta vive me pedindo perfeição. A tinta pede visão. Mas meu cinzento traço só pede a minha opinião.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

21 dias



Pinga, pinga, pinga. A música de goteira é feita pela chuva na telha.
Céu no teto imaginado. Nuvens, estrelas, Lua e Sol, tudo no mesmo espaço.
A frase de sempre, repetida ao pé do ouvido.
-a de sempre e a que mais quero continuar ouvindo-
Palavras sortidas, perdidas em comentário -que admito, tinham fundo engraçado.
Cadela travessa, não há o que fazer para que não desobedeça.
Então o silêncio vem,
E embalado por suspiros faz parecer que no mundo não há mais ninguém.
Abraço calado e de lábios dados. Abraço apertado e de dedos entrelaçados.
Beijei seu nariz, sua testa, pescoço e olhos.
Beijou meu rosto, sorriu, e então beijou de novo. Beijou minh'alma.
E assim que quis não querer mais nada.
Dois em um. Completados, enfim, ambos por inteiro.
Por que não paras senhor tempo? Por que não congelas todo o mundo nesse momento?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Parte XXVI - Juliana Lima

Parte XXV em http://dricafernandes.tumblr.com/tagged/BlogAmigo
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Alguém que me faça desejar o eterno. Alguém que me arranque suspiros, e que me dê abraços que pareçam parar o tempo.
Alguém com quem eu passe a noite e me surpreenda ao ver o Sol nascer, pois pra mim a noite se passou em segundos.
Alguém que eu queira ter pra sempre. Alguém de quem eu não vou cansar. Alguém que me fará amar os detalhes mais simples como olhares, sorrisos e pintas.
Alguém que me fortaleça onde sou fraca. Alguém que faça questão de mim. Alguém que me conheça melhor do que eu mesma. Apenas alguém.
Onde estás meu alguém? Onde te posso encontrar?

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continua em dricafernandes.tumblr.com/tagged/BlogAmigo

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

17 dias


Imagino te abraçando.
Imagino dormindo ao teu lado.
Imagino contigo.
Imagino em ti.

Imagino, imagino, suspiro imaginando.

Ouço; penso em ti.
Canto; penso em ti.
Como; penso em ti.
Durmo; penso em ti.
Acordo; penso em ti.

Em ti, contigo, pra ti, comigo. Juntos.
Apenas juntos.

Seu olhar

Seu jorge


Temos rotas a seguir
Podemos ir daqui pro mundo
Mas quero ficar
Porque
Quero mergulhar mais fundo

Só de me encontrar
Em seu olhar
Já muda tudo
Posso respirar você
Eu posso te enxergar
No escuro

Tem muito tempo na estrada
Muito trem
E como quem não quer nada
Você vem
Depois da onda pesada
A onda zen
É namorar na almofada
E dormir bem

Foi o seu olhar
O que me encantou
Quero um pouco mais
Desse seu amor

Eles

- Fica feliz.
- Eu to.
- Não tá não. Você ainda tá chateado. Fica feliz.
[Algumas piadas são lançadas] (...)
- Viu? Eu já to bem. Já to te perturbando e tudo.
- Não. Você ainda tá chateado.
- E como a senhorita pode saber disso? [Ele sorri]
- Seus olhos. Eles estão tristes, e isso tá me matando. Fica feliz com os olhos, ai eu acredito.

that I like; that I love



Gosto do jeito que não consegues me esconder nada. Gosto do jeito que tens coragem pra demonstrar tudo o que sente. Gosto do teu jeito que se diferencia dos outros e não poupa ou mede os "eu te amo"s. Gosto do jeito que me permites te ver chorar. Gosto dos teus olhos que nunca me escondem nada.
Olhar bobo, olhar zombador, olhar apaixonado, olhar safado. Olhar que finge interesse, olhar que me conta seus segredos, olhar que deixa tudo subentendido.
Como amo teus olhos que não sabem mentir. Como eu amo saber ler teus olhos. Como eu amo o dono desses olhos verdes.

domingo, 4 de setembro de 2011

Parte XXIV - Juliana Lima

Parte XXIII em http://dricafernandes.tumblr.com/tagged/BlogAmigo
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- Então -eu diria ao passado- peça a ele [futuro] que mande lembranças ao presente e pergunte por onde ele anda.
- O futuro te pede paciência. O presente, atenção. E eu ando precisando de espaço, de ficar no meu lugar. Sinto que tenho trabalhado de mais fazendo horas-extras, sinto que preciso tirar férias e me tornar apenas lembrança.
- Falas como se fosse fácil te deixar. Falas como se nunca o tivesse tentado.
- Não quero criar mais ciúmes. O presente anda com saudades tuas. O futuro tem medo de não te conhecer.
- Mas o presente não faz por onde, só me deixa abandonada ao nada; e por sua culpa [do presente] me ponho deixando o futuro de lado.
- Não conte a ninguém, mas este conselho é só pra ti.
Esqueça-nos, nós três. Abandone-nos por igual, assim não haverá ciúmes. Encontre alguém que te faça querer parar o tempo; assim, o presente, orgulhoso como é, ficará feliz, pensando ser o favorito. O futuro certamente se mostrará esperançoso, e talvez ansioso, mas não se colocará preocupado, pois a ti a pressa não importa, fazendo a paciência, que o futuro tanto preza, ser bem-vinda. E quanto a mim? Sim, eu serei feliz, pois finalmente não lhe trarei lágrimas. Serei feliz porque finalmente conseguiste esquecer do relógio.

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